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18 de abr. de 2012

Considerações Sobre o Corpo e Sexo dos Anjos

Existe referência a anjos em 35 livros da Bíblia, sendo citados em duzentas e setenta e cinco referências. O que são anjos? Uma ordem de seres, criados antes dos seres humanos, criados para o serviço operacional na dimensão espiritual no Reino de Deus. São seres que só executam ordem. Essa é sua função, daí a expressão “anjo” que significa “mensageiro”.

Não é possível precisar o momento em que Deus, sendo infinito e eterno, decidiu criar os anjos e suas classes ou hierarquias, no entanto, é possível crer que há anjos com diferentes temporalidades da mesma forma que existem relações de hierarquia e subordinação entre anjos e que, talvez, Deus continue a criar anjos ainda hoje. É um mistério!

Sendo o homem e também os anjos criados à imagem e semelhança de Deus, cabe aqui a pergunta secular, partindo da premissa que naquele conceito, “imagem e semelhança”, abrange também a forma (anatomia) do corpo, qual o sexo dos anjos?

A criação do homem poderia “dar” luz ou lançar mais trevas sobre esta pergunta? A resposta é, depende da fonte e referência utilizada.

A tese aqui que tentamos mostrar é que, se o homem foi criado à semelhança de Deus, os anjos não poderia ter sido criados doutra forma a não ser também, imagem e semelhança de Deus. Então, por dedução, a criação dos anjos, sua forma física, explicaria a criação do homem. No entanto, não temos nada sobre a criação dos anjos, exceto teorias, assim, buscaremos na gênese do homem a definição da anatomia do corpo angelical, porque a forma e anatomia do corpo humano foi inspirada na criação anterior, os anjos.

Quanto ao corpo, discordando da grande maioria que acredita que anjos são seres sem “corpo”, sem forma definida, defendemos que não se pode confundir “espírito” com “sem forma”, “sem corpo”. Os seres espirituais têm forma e expressão corporal. É assim que aparece na Bíblia, com expressão humana, o corpo “semelhante” aos filhos dos homens, logo, a imagem e semelhança vem a referir, inclusive, a expressão e a postura (anatomia) corporal, além dos aspectos morais, a racionalidade, o conhecimento, a capacidade de julgar, a virtude, etc.

Os relatos bíblicos de visão de anjos e do Senhor contraria a opinião dos que crêem no mundo espiritual sem forma, pois quem vê, vê alguma coisa e se vê alguma coisa, essa coisa tem forma. Em Isaías, capítulo 6, versículos 1, 2 e 6, o Profeta afirma que viu o Senhor assentado e com vestes (acreditamos ser aquele que mais tarde viria ao mundo e se chamaria Jesus, tendo em vista que o mesmo Jesus disse, conforme João 1:18, que ninguém viu o Pai) e serafins, estes tinham mãos, pés e rosto:

“1.No ano da morte do Rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublimo trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo. 2.Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava.”...“6.Então um dos Serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa viva que tirara do altar com uma tenaz”(grifo nosso).

Da mesma forma, o Profeta Daniel nos traz diversos relatos (Dn.10:5,10,16,18) de suas visões e acontecimentos que nos informa acerca do corpo dos seres celestiais e sua semelhança com o corpo humano.

Na transfiguração descrita nos Evangelhos de Mateus (Mt. 17:1-8), Marcos (Mc. 9:2-8) e Lucas (Lc 9: 28-36) vemos o relato de que aparecem com Jesus Cristo, Elias e Moisés. Eis aí um grande mistério! Ora, Elias não morreu mais foi arrebatado. Pra onde? Poderia alguém viver com um corpo humano e material na dimensão celestial? Onde está Elias? Moisés, por sua vez, morreu e foi sepultado. Então ambos não poderia ter aparecido com um corpo material e sim com um corpo celestial (conforme I Coríntios 15:50, “a corrupção não participará da incorruptibilidade.”). Esse corpo tem forma, a apresentação da forma humana. Essa forma humana nada mais é do que uma semelhança à forma do corpo dos seres celestiais ou espirituais.

Sobre a existência e natureza dos corpos espirituais o Apóstolo Paulo doutrina sobre esse tema no capítulo 15 da Primeira Epístola aos Coríntios. Veja o que diz o mesmo nos versículos abaixo transcritos:

“38. Deus, porém, lhe dá o corpo como lhe apraz, e a cada uma das sementes o corpo da planta que lhe é própria. 39. Nem todas as carnes são iguais: uma é a dos homens e outra a dos animais; a das aves difere da dos peixes. 40. Também há corpos celestes e corpos terrestres, mas o brilho dos celestes difere do brilho dos terrestres. 41. Uma é a claridade do sol, outra a claridade da lua e outra a claridade das estrelas; e ainda uma estrela difere da outra na claridade. 42. Assim também é a ressurreição dos mortos. Semeado na corrupção, o corpo ressuscita incorruptível; 43. semeado no desprezo, ressuscita glorioso; semeado na fraqueza, ressuscita vigoroso; 44. semeado corpo animal, ressuscita corpo espiritual. Se há um corpo animal, também há um espiritual. (...) 49. E, assim, como trouxemos a imagem do que é terreno, devemos trazer também a imagem do celestial. (...) 53. É necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que este corpo mortal se revista da imortalidade.”

Quanto ao sexo dos anjos, existem duas correntes, sendo que a primeira, tese judaico-cristã, defende a tese de que são seres masculinos assexuados e, a segunda, tese maçônica-rosacruzes [1], de que se trata de seres andróginos, dotados de ambos os sexos, representando elemento de perfeição e totalidade como aponta Paula Sandrine Machado [2], citando Mircea Eliade:

“A idéia da totalidade, da união dos opostos em um só ser, é o que fundamenta, em última instância, o pressuposto da androginia dos seres divinos. Dentro dessa lógica, o sexo dos anjos, expressão que dá nome a esse artigo, não remeteria ao fato de que anjos são seres sem sexo, sem idade ou outros atributos humanos. Pelo contrário, a figura do anjo, que alude à divindade, é justamente capaz de traduzir a possibilidade da existência de uma variabilidade de sexos.”

Heindel em “Maçonaria e Catolicismo” (p.31) teorizando sobre este tema à luz da teoria maçônica-rosacruzes afirma que os anjos, que ele denomina de divinas hierarquias ou os Elohim, eram hermafroditas com capacidade de procriação mediante “sexo” psíquico:

“... sob a direção dos anjos, com o propósito de construir uma laringe e um cérebro para que o homem pudesse aprender a criar pelo pensamento como fazem as divinas hierarquias...não pode mais criar fisicamente de si mesmo, como fazem as plantas hermafroditas, nem psiquicamente como fazem os Elohim, os Hierarcas masculino-feminino...”          

Se utilizarmos a Bíblia e a teologia judaico-protestante como referência, iremos admitir, pelo consenso teológico, que os anjos são seres com corpo espiritual semelhante à forma humana, salvo as raras exceções descritas pelo Apostolo São João e pelo Profeta Ezequiel [3], o que parece indicar uma casta especial de anjos, que executam e cumprem missões específicas.

É no livro de Genesis onde ocorre a maior parte das aparições e interações de anjos com seres humanos. Todos aparecem como seres humanos com forma masculina, sendo que alguns, inclusive, manifestaram-se alimentando de comidas materiais, carne e pão, conforme capítulo 18 deste Livro, versículos 1-8:

“1. O Senhor apareceu a Abraão nos carvalhos de Mambré, quando ele estava assentado à entrada de sua tenda, no maior calor do dia. 2. Abraão levantou os olhos e viu três homens de pé diante dele. Levantou-se no mesmo instante da entrada de sua tenda, veio-lhes ao encontro e prostrou-se por terra. 3. “Meus senhores, disse ele, se encontrei graça diante de vossos olhos, não passeis avante sem vos deterdes em casa de vosso servo. 5. Descansai um pouco sob esta árvore. Eu vos trarei um pouco de pão, e assim restaurareis as vossas forças para prosseguirdes o vosso caminho; porque é para isso que passastes perto de vosso servo.” Eles responderam: “Faze como disseste.” 6. Abraão foi depressa à tenda de Sara: “Depressa, disse ele, amassa três medidas de farinha e coze pães.” 7. Correu em seguida ao rebanho, escolheu um novilho tenro e bom, e deu-o a um criado que o preparou logo. 8. Tomou manteiga e leite e serviu aos peregrinos juntamente com o novilho preparado, conservando-se de pé junto deles, sob a árvore, enquanto comiam.”

Não há menção a anjos femininos na Bíblia, o que nos leva a concluir que os anjos também seriam seres “masculinos”, sem órgãos sexuais, tendo em vista que a procriação é vedada aos anjos e, portanto, a existência de órgãos sexuais não funcionais seria contraproducente a sua condição espiritual, conforme testemunho de Jesus Cristo, no Evangelho de São Mateus, capítulo 22 e versículo 30, refutando assim, a tese e maçônica-rosacruzes de Heindel, da androginia dos seres divinos.

[1] Max Heindel, Maçonaria e Catolicismo, publicação da internet.
[2] Paula Sandrine Machado, O Sexo dos Anjos, Cadernos Pagu, jan/jun, 2005, pp. 249-281
[3] Livro do Profeta Ezequiel, Capítulos 1 e 10; Livro de Apocalipse de João, Capítulo 4.


Este texto é de autoria de Lucio Maciel, material de divulgação do Ebook a ser lançado em 2013 "A Recriação de Adão: Refutações a Tese Maçônica-Rosacruzes".

31 de out. de 2010

Quantos Anos Noé Usou na Construção da Arca?

É notório entre os cristãos a tese de que Noé construiu a Arca em 120 anos. Tal interpretação firma-se, na exegese isolada, no versículo 3, do Capítulo 6, do Livro de Genesis:


A Bíblia, no entanto, não cita expressivamente que Noé teria usado 120 anos construíndo a Arca. A análise profunda do texto bíblico vem no entanto refutar a tese dos 120 anos. O site http://bible.cc/genesis/6-3.htm traz a tradução do texto citado em várias versões bíblicas.

De acordo com a análise do capítulo 6 e posteriores, veremos que Deus estava "frustado" com a humanidade. A Bíblia relata que Deus “se arrependera” de ter criado o homem, pois este se havia tornado moralmente corruptos. Não havia uma religião ou culto a Deus. A adoração a Deus era uma atividade individual.

Deus olha pra Terra e percebe que seu projeto de criação de um ser racional à sua imagem e semelhança tinha "fracassado". O homem que habitava na Terra tinha, após a sua saída do Jardim do Éden, perdido sua condição de inocência e santidade. Nos versículos 5 e 12 afirma categoricamente que a maldade era generalizada e continua. A sociedade adâmica, sem uma identidade com seu Criador e Deus, vivia num estado social anômico:


e

É a partir dessa constação de que Deus estabelece por um fim na humanidade, e fixa um prazo para a destruição da humanidade, 120 anos:




É nesse contexto teológico que deve ser interpretado a afirmação dos "120 anos", conforme observa-se na análise conjunta dos versículos 3 e 7, acima citados. Deus estabeleceu 120 anos, a partir daquela data, para a destruição da humanidade.

Embora a regra, conforme diagnóstico de Deus, é que "todo ser humano havia se corrompido", o mesmo ser Divino, percebe que havia um ser humano, como uma exceção a regra, que era "homem justo e íntegro": Noé (Noach, em hebraico, que siginifica descanso, repouso) e sua pequena família, composta de 8 pessoas (oito é simbolo de restauração). 

É de supor que Noé fosse um homem muito rico e tivesse por sua riqueza e carater um certo nível de influência sobre a população de sua região a ponto de ter utilizado muita mão-de-obra para a construção da arca. É de supor também que algumas pessoas queriam embarcar com Noé nessa grande aventura, no entanto, a escolha de quem iriam na Arca fora feita por Deus pelo critério de integridade e santidade.

Observa-se na análise dos versículos 11 a 22, do citado capítulo sexto, o anúncio do dilúvio e a ordem de construção da arca ocorreu no decurso dos 120 anos e não no início deste período.


No versículo 13, acima, Deus anuncia a Noé uma decisão já tomada e um prazo que aproxima-se do seu fim. No versículo 18, afirma textualmente, que na data em que há o anuncio do dilúvio e a ordem pra construção da arca, Noé era casado, tinha filhos e seus filhos já estavam casados.


De acordo com o versículo 32, do capítulo 5, Noé tinha 500 (quinhentos) anos quando teve seu primeiro filho:


No versículo 10, do capítulo 11, descreve que 2 (dois) anos depois do dilúvio, Sem, filho mais velho de Noé, tinha 100 (cem) anos, portanto, Noé tinha 502 anos quando teve seu primeiro filho:

No versículo 6, do capítulo 7, quando Noé entrou na arca e teve início o dilúvio, este tinha 600 (seiscentos) anos de vida:

Analisando, portanto, todos esses versículos, observaremos que Noé não passou 120 anos construíndo a arca, pois se, a idade de Noé entre o nascimento de seu primeiro filho, 502 anos e o inicio do dilúvio, 600, resulta no intervalo de 98 anos. Considerando também que, seus filhos eram casados quando Deus ordenou a construção da arca e que as pessoas casavam com idade avancada, para o padrão da atualidade, Noé não poderia ter construído a arca em 120 anos. Assim, temos os seguintes cálculos para a idade de Noé:

Morte de seu pai - 415 anos

Nascimento do primeiro filho de Noé - 502 anos

Inicio do Dilúvio - 600 anos

Nascimento de Sem (menos) Início do Dilúvio = 98 anos

 
Conclui-se, portanto, que a tese dos 120 anos não tem sustentação bíblica. Esse prazo não tem viculação com a construção da Arca e sim com o prazo estabelecido por Deus para por fim no mundo com o dilúvio.

Esse texto é de autoria de Lucio Maciel.

Quantos Anos Noé Usou na Construção da Arca?

É notório entre os cristãos a tese de que Noé construiu a Arca em 120 anos. Tal interpretação firma-se, na exegese isolada, no versículo...